A linguagem num país colonizado por diferentes povos e etnias

Por Abel Ellwanger

A linguagem é tão antiga quanto a sociedade, ela sempre teve um sentido, um significado, mas está extremamente ligada ao contexto social. No Brasil a utilização da língua é diferente segundo as classes sociais; geralmente nas escolas a linguagem é determinada a partir da realidade social do professor, mesmo que ele tenha alunos de classes socialmente menos privilegiadas, não há uma preocupação com essa diferença. Nestes casos os alunos de classe média baixa que tem alguma dificuldade e não contam com um tratamento diferenciado são excluídos e prejudicados, pois em muitas circunstâncias acabam inibido-o, por vergonha, de fazer errado.

A colonização no país trouxe inúmeras línguas que se massificaram e foram se dividindo conforme os estados e suas regiões. O livro Linguagem Escravizada aborda alguns termos entre falar “bem” ou falar bonito e ser “culto”. Os autores mostram igualmente que praticar o padrão considerado culto da língua pode também assumir o sentido de não pertencer e separar-se das classes subalternizadas. Segundo o autor Mário Maestri “Os Membros emergentes das classes desfavorecidas sempre puderam se incorporar às chamadas elites, desde que renegassem suas raízes sociais, ideológicas e lingüísticas”.

Uma das exigências do mundo globalizado é a existência de uma língua globalizada. Serve de exemplo, a reforma ortográfica estabelecida no idioma português, que praticamente unifica as normas escritas dos países que falam o idioma. Os padrões linguísticos adotados hoje, determinam a visão da classe dominante. A relação de poder no que diz respeito à língua não deveria influenciar na estrutura de uma linguagem que usa o nome da sua língua padrão como português de Portugal. E por que não usar o português do Brasil já que existem algumas diferenças na fala, afinal o cientifico é sempre o mesmo e a maior mudança está propriamente na fala?

Entretanto podemos afirmar que no Brasil temos um padrão linguístico, mas junto a este padrão vem o preconceito entre as diferentes classes sociais. A língua que se fala na favela, por exemplo, é diferente nas classes média e média alta, diferença esta que começa na escola. Muitos autores fazem estudos e publicam livros sobre a linguagem, mas praticamente todos se referem a ela na escrita, esquecendo da linguagem falada, pois primeiro aprendemos a falar e depois a escrever.

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