Category: Rural


Por Bruna Castro

A Semana da Agricultura Familiar – evento que reuniu representantes de organizações públicas e sociais e técnicos do Ministério do Desenvolvimento Agrário – foi encerrada na sexta-feira, 10/12, em Brasília. Métodos para fortalecer a agricultura familiar, o Programa Nacional de Crédito Fundiário e o desenvolvimento territorial foram alguns dos temas discutidos.

De acordo com uma entrevista do ministro Guilherme Cassel, ao jornal A Folha de S. Paulo, a importância da agricultura familiar no combate à miséria no campo é de extrema importância: “4,8 milhões de brasileiros saíram da condição de pobreza nos últimos anos e o índice de pobreza foi reduzido de 25% para 14%, beneficiando 3,3 milhões de pessoas”, explicou. Ele também destacou o crescimento da renda da agricultura familiar, que subiu 33% desde 2003 – três vezes mais que no meio urbano.

O secretário de Desenvolvimento Territorial, Humberto Oliveira, que também participou do evento e falou à imprensa, disse que a estratégia territorial contribuiu de forma significativa para o desenvolvimento do meio rural: “Colocamos na agenda governamental e de vários governos estaduais os instrumentos para o planejamento e a gestão social das políticas públicas com enfoque territorial”.

A logística para o escoamento dos grãos na região Noroeste do estado

Por Abel Ellwanger

Moega para armazenagem de grãosA logística da produção de soja relaciona-se ao planejamento e operação dos sistemas físicos, informacionais e gerenciais necessários para que insumos e produtos se movimentem de forma integrada no espaço através do transporte e no tempo através do armazenamento no momento certo, para o lugar certo, em condições adequadas e gastando o menos possível com isso.

Na região noroeste do estado a produção é escoada até terminais de armazenamento por via rodoviária, ou seja, a utilização de caminhões apenas para o transporte da lavoura ou do armazém próprio do produtor até chegar ao terminal que dará o destino de toda a produção para Rio Grande. Neste caso a soja é normalmente movimentada a granel, por transportadores rodoviários autônomos (na maior parte dos casos, agregados às empresas de transporte rodoviário) que se utilizam predominantemente de carretas rodoviárias com capacidade de 27 t, e mais recentemente dos bi-trens, com capacidade de 40 t.

O município de Cruz Alta é geograficamente denominado o centro deAcesso Ferroviário ao carregamento da Bianchini Unidade de Cruz Alta armazenamento temporário para o escoamento da produção no estado, pois conta com um porto seco de transporte ferroviário que liga a cidade até o porto de Rio Grande. A empresa Bianchini S/A é responsável por este port. Grande parte da soja produzida na região passa pela empresa antes de chegar ao porto fluvial. Segundo o gerente comercial da empresa Gilmar Osmen, 97% dos grãos chegam a Rio Grande pelo modal ferroviário, pois o custo do transporte é menor do que o rodoviário e agiliza na carga e descarga. A Bianchini conta com quatro unidades próprias de recebimento espalhadas pela região e para chegar até o porto seco o transporte utilizado é o rodoviário, portanto circulam pela empresa em torno de 500 mil toneladas de soja por ano.



SUSTENTABILIDADE NO MEIO RURAL

Por Viviane Lara


Se é moda ou não, a sustentabilidade é um dos principais assuntos discutidos em quase todas as empresas Brasileiras e do mundo. O meio ambiente começou a ser olhado de um jeito diferente depois que os resultados da poluição e do desmatamento vieram à tona. Segundo dados do GREENPEACE a Amazônia nos últimos 30 anos teve um desmatamento que equivale ao território da FRANÇA. No mundo hoje, apenas 22% da cobertura florestal original permanece intacta.

Um dos principais motivos para tal desequilíbrio é a derrubada das matas para o plantio. E por isso, a agricultura está sendo repensada, alternativas são criadas para produzir alimentos e minimizar os danos causados a natureza.

Norteada pelas pesquisas a agricultura ecológica ganha força e reconhecimento. Esse novo rumo tomado por todos, referente à responsabilidade, alimenta a esperança de estabilizar os problemas já existentes. Neste caso na área da agricultura, um modo diferente de produção foi instigado e aplicado, possuindo alguns princípios do plantio tradicional.

“O desenvolvimento da agricultura moderna juntamente com a sustentabilidade em torno das áreas agrícolas pode ser a chave para que consolidemos a condição de ‘celeiro do mundo’ e sejamos capazes de garantir uma melhor condição de vida para as populações que vivem do campo e em suas redondezas”, diz Carlos Abreu em um artigo publicado no site Atitude Sustentável. Também foi abordado pelo autor a redução de inseticidas, que aplicados em pequena quantidade contaminam menos o solo e os recursos hídricos.

Ao contrário disso, sem pensar na sustentabilidade a exploração do solo e dos recursos naturais, pode em pouco tempo inviabilizar o uso da terra. E a consequência disso para o futuro seria o oposto do que se tem agora. Além da fome, guerras, catástrofes, devastação e falta de água potável seriam os primeiros reflexos do uso inconsciente dos recursos naturais.

Por Abel Elwanger

Com a produção de soja aumentando a cada ano no país inteiro, uma variedade de produtos derivados do grão surgiram. A utilização da soja é muito conhecida pela extração do óleo vegetal e de seu subproduto o farelo, proporcionando uma grande variedade de novas formas de consumo desse grão.
Algumas formas de utilização:

– Os grãos inteiros da soja podem ser assados ou tostados ou ingeridos como o broto de soja, servem também para a produção de leite de soja, sobremesas de soja, iogurte de soja, sorvete de soja e molho de soja. O molho de soja é um líquido marrom e saboroso, obtido pela fermentação dos grãos de soja.
– O farelo de soja, com teor protéico de 44% a 48% (se o grão for descascado antes da extração do óleo), é usado basicamente como suplemento rico em proteínas para a criação de gado, suínos, aves domésticas, e também como alimento de peixe na aqüicultura.
– O óleo de soja é rico em ácidos graxos poliinsaturados. Pode ser usado como óleo de salada, de cozinha e de fritura. Algumas aplicações são: para a produção de maionese e margarinas. O óleo também apresenta aplicações industriais como tinta de caneta, biodiesel, tintas de pintura em geral, xampus, sabões e detergentes.
– A lecitina obtida pela extração da goma do óleo de soja bruto é empregada como emulsificador versátil na produção de produtos ricos em gorduras e óleos, como o chocolate, a margarina e os produtos de panificação.
– Os isolados de soja (pelo menos 90% de proteína) são ingredientes funcionais empregados em produtos finos de carne e leite. Os usos técnicos dos ingredientes protéicos e da farinha de soja incluem revestimentos de papel e auxiliares de processos de fermentação.
– A casca da soja é retirada durante o descascamento inicial dos grãos e contém material fibroso. É usada como forragem grossa e também como fonte de fibras dietéticas de cereais matinais e de certos lanches prontos.
Alguns anos atrás a soja era motivo de discussão sobre sua utilização na evolução para a produção transgênica, que ainda gera muita controvérsia em torno do seu uso. A soja apresenta-se como uma importante fonte de proteína, suas sementes contêm cerca de 40% de proteína, enquanto a carne de vaca e do peixe fornece apenas 18%. A soja é considerada um alimento funcional, (ajuda o organismo humano a ficar mais resistente contra determinadas enfermidades). O consumo do grão ajuda, por exemplo, a reduzir o risco de doenças do coração, de alguns tipos de câncer e minimiza os efeitos da osteoporose.
Embora o Brasil seja o 2º maior produtor de soja do mundo, o grão vem sendo utilizado em larga escala apenas pela indústria de alimentos, onde o produto é ingrediente na fabricação de embutidos, chocolates, bolachas. Dados da EMBRAPA SOJA mostram que, do total de grãos produzidos, cerca de 70% são transformados em farelo, principal componente protéico de rações para suínos e aves.

Por Mauricio Rebellato

A oleaginosa apresenta-se como rentável cultura de inverno.

Daniel Servieri em uma plantação de CanolaUma das culturas mais bonitas do setor agrícola começa a ser colhida: a canola. A plantação costuma chamar a atenção de quem passa pelas lavouras e é difícil não admirar o amarelo que colore as terras. A cultura é plantada no final do mês de abril e a colheita começou neste mês.

O Engenheiro Agrônomo Daniel Servieri da BS BIOS de Passo Fundo, formado na Unicruz em 2008, é responsável por atender a região no cultivo da oleaginosa. Segundo ele uma boa produção gira em torno de 23 sacas/ha, mas esse ano algumas lavouras já registraram produtividade entre 30 a 35 sacas por hectare em algumas regiões.

O cultivo está em crescimento na região uma vez que a canola tem se mostrado como uma ótima alternativa para o inverno. “Por ter um custo de implantação baixo e ter uma liquidez garantida, a canola tende a ganhar cada vez mais espaço no meio rural”, explica Daniel.

A produção de canola se dá tanto para consumo humano, como na produção de Biocombustível e as vantagens do cultivo atrai os agricultores. “A cultura diminui inóculo de doenças por quebrar o ciclo de gramíneas, permite melhora da estrutura do solo, liberação de nitrogênio para a cultura subseqüente e por ter uma decomposição muito rápida da sua biomassa” considera o agrônomo. Os ganhos proporcionados são significativos nas culturas de verão como a soja e também para o próximo cultivo de inverno.

Daniel atende uma produção de aproximadamente 3.000 hectares nos municípios de Cruz Alta, Estrela Velha, Salto do Jacuí, Espumoso, Alto Alegre, Tapera e Ibirubá. A indústria e comércio de biocombustível que o agrônomo trabalha tem um total de 10.000 ha no Rio Grande do Sul e Santa Catarina e 5.000 no Paraná.Plantação de Canola

DICA:

A canola possui zoneamento agroclimático possibilitando o financiamento para o cultivo, com seguro em caso de eventual sinistro. A produção permite ainda o uso de áreas ociosas, tendo assim um maior aproveitamento do sistema de produção.

Para aqueles que tenham interesse em plantar, é sempre bom lembrar usar apenas sementes híbridas registradas de boa procedência, fazer o plantio no final de abril para que se evite problemas como geadas na fase inicial e sempre ter uma boa assistência técnica para um melhor acompanhamento da lavoura e aumentando a produtividade

Por Ivana Dalmás

O município de Tupanciretã foi confirmado, novamente, como o maior produtor de soja do estado. A constatação é fruto de um relatório de produção agrícola baseado em dados do IBGE que traz também informações sobre aspectos financeiros provenientes do cultivo do grão, que é responsável por movimentar cerca de 231 milhões de reais a cada ano. Em segundo lugar, no ranking de produção, aparece o trigo, com um volume de 23 milhões de reais
Para aqueles que acompanham a trajetória da cidade, nada surpreende o fato de ela permanecer em primeiro lugar, uma vez que, já há muito tempo, a área de soja cultivada em seus campos já atinge grandes patamares. Para a próxima safra, a previsão é de que a área de cultivo alcance 150 mil hectares.
Os agricultores mostram-se otimistas frente à perspectiva de anos passados. Para o produtor da localidade de Linha Batú, Altanir Malheiros Almeida, 62 anos, que produziu somente 50 hectares em sua última safra, a tendência é de que haja maior lucratividade na próxima, que começa a ser cultivada já nesse mês de outubro: “Espero produzir três toneladas do grão por hectare, até pelo meu investimento em maquinário e em sementes de qualidade”, explica. Almeida comenta ainda a importância de se estar a par do que ocorre no segmento tecnológico e de se voltar as atenções ao uso dos fertilizantes certos para cada tipo de solo, a fim de garantir maior êxito ao fim da jornada produtiva: “Temos de utilizar tudo isso ao nosso favor”, finaliza.

CNA ALERTA PARA OS BAIXOS VALORES DE MERCADO
Estudos da CNA – Confederação da Agricultura e Pecuária no Brasil indicam que os agricultores perderam renda por causa dos baixos valores do mercado. A última colheita, que foi recorde, com 146 milhões de toneladas do grão, não favoreceu os produtores, pois os preços caíram 13% em relação ao ano anterior. A expectativa, entretanto, é de que o prejuízo dessa safra seja recompensado por esta, que já começa a ganhar forma nos campos do país.

Por Leandro Lui

Nenhuma das várias classes de trabalhadores no Brasil elegeu tantos representantes ligados ao seu segmento quanto os agricultores. Os gaúchos acabaram dobrando sua representação nas bancadas estaduais e federais. Ligados direta ou indiretamente, serão dez deputados federais, uma representante no Senado e três nomes, na Assembléia Legislativa.
Os gaúchos estão representados por parlamentares de vários partidos como, por exemplo, os petistas Elvino Bohn Gass, Dionilson Marcon e Marco Maia. Já o PP leva à câmara, além dos já conhecidos da causa do agronegócio e reeleitos Luis Carlos Heinze e Afonso Hamm, também Jerônimo Goergen.
Por fim, em contraste à euforia da eleição, a Revista Globo Rural divulgou que a safra de grãos 2010/2011 deve ficar entre 145,72 e 147,93 milhões de toneladas, com uma redução que vai de 887,60 mil a 3,10 milhões de toneladas sobre o ciclo passado – que chegou ao recorde de 148,82 milhões de toneladas. Os principais responsáveis pela variação negativa na produção desta safra são a soja e o milho total (1ª e 2ª safras).